Salve caros leitores!
Hoje vou comentar sobre um fato ocorrido na madrugada do dia 03/01/2013. Todos temos acompanhado pelos noticiários o que tem sido uma das maiores catástrofes de Duque de Caxias, a cabeça d'água que fez com que os rios que cortam Xerém transbordasse fazendo com que boa parte do local praticamente desaparecesse do mapa.
Fui pessoalmente com meus pais e minha esposa fazer doações de roupas e conferir o local da tragédia, o bairro de Café Torrado, principal ponto de acesso para a Cachoeira de Xerém, a qual eu costumava ir muitas vezes quando criança.
Tentar descrever a situação, é difícil, principalmente para quem conhecia o lugar e se depara com o que restou dele. A situação é tão crítica, que o acesso ao local foi reduzido pelas autoridades locais, para que não atrapalhem o socorro e as obras de limpeza. É uma verdadeira zona de pós-guerra, o transporte público só vai até a praça da Mantiqueira, alguns quilômetros do ponto final de Xerém e todo o tráfego está sendo desviado para impedir o acesso a localidade. A todo momento passam ambulâncias com suas sirenes ligadas, carros da defesa civil e resgate com homens equipados como se fossem para a guerra, reportagens, corpo de bombeiros... enfim, parece coisa de filme mesmo. Da Mantiqueira em diante não se vê mais asfalto, somente poeira, lama, móveis pelas ruas e muitas pessoas com máscaras para evitar a inalação da poeira.
Quando se chega ao local que temos a real noção do quão grande foi a tragédia, a principal ponte de acesso ao outro lado do bairro de Café Torrado caiu, deixando as pessoas isoladas. Casas e ruas as margens do rio já não existem mais, somente destroços, muita lama, carros soterrados... As retro-escavadeiras trabalham constantemente juntamente com a população na limpeza do que sobrou. O rio teve seu curso alterado e ainda corre com muita força, pessoas atravessam com cordas para não serem levadas pela correnteza. Em alguns pontos a água alcançou 3 metros de altura ou mais, e acreditem, algumas casas tem lama e areia próximas ao teto deixando a mostra somente a laje a vista. Pessoas que estavam desaparecidas começam a serem encontradas mortas. Ontem foram encontrados 2 criancinhas mortas, segundo relatos de pessoas que ajudaram no resgate; o corpo do funcionário da Cedae, que foi levado pela enchente, também foi encontrado.
Trabalho a noite, e na empresa onde eu trabalho (em Xerém mesmo), um dos funcionários ao chegar em casa, não a encontrou mais, ficando somente com a roupa do corpo e a bicicleta que levava para o trabalho. 15 funcionários faltaram na quinta e na sexta, e os que conseguiram ir para o trabalho, estavam moribundos de sono, pois estavam pernoitados ajudando no socorro das vítimas. Um dos funcionários contou que a água subiu a altura do peito em menos de 10 minutos. Algumas pessoas não conseguiam nem abrir a porta de casa, devido a pressão da água e eram resgatadas pelos próprios moradores as pressas antes que a água tomasse conta do local.
Contando assim, é difícil de acreditar, as vezes até acreditamos, mas não conseguimos ter uma real noção da grandiosidade da destruição, até ver com nossos próprios olhos. É lastimável a situação de quem sobreviveu ao caos, mas graças a Deus ainda estão vivas, mesmo que tenham perdido tudo. Agora o negócio é agradecer a Deus por estar vivo, começar do zero e contar com a ajuda dos amigos e das doações de você, caro leitor.
Orem por estas vidas, procure os locais de doações e ajude, se ponha no lugar de quem investiu anos e anos de trabalho duro para construir sua casinha humilde com muita luta e sofrimento, e hoje só tem a roupa do corpo.
Deixo aqui algumas imagens que eu mesmo tirei para comprovar o fato:
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| Ponto final de Xerém. Ao fundo a faixa do deslizamento do morro. |
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| Rede Record, Vagner Montes e Alexandre Cardoso. |
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| Carro soterrado. |
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| Isso é o que sobrou de alguns lugares. |
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| Maquinário abrindo espaço para acesso as casas. |
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| Rastro da destruição. |
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| A ponte de acesso para a outra margem já não existe mais. |
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| Existiam casas onde hoje é só destroço. |
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| O que sobrou da ponte de acesso a outra margem. |
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| As marcas denunciam a altura do alcance da água. |
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| Hoje... abandonada. |
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| Curso alterado. |
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| Água e lama cobriram todo o primeiro andar. |
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| Mesmo com todo o esforço e rapidez, ainda tem muita lama. |
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| Acredite, tinham casas aqui! |
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| A areia e a lama elevaram a altura das ruas! |
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| Altura da lama nesta casa. |
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| Muitas casas desapareceram! |
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| Esta senhora afundou na lama na altura da cintura. |
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| Desabrigados na outra margem do rio. |
poxa uma verdadeira tragédia..
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