DIÁRIO DE BORDO
MODALIDADE: TREKKING (OU ENDURO)
DATA DA EXPEDIÇÃO: 11/09/10
DESTINO: PEDRA DO SINO, LOCALIZADA A 2.275 MT DE ALTURA NO PARQUE NACIONAL SERRA DOS ÓRGÃOS (SEDE TERESÓPOLIS)
INTEGRANTES DA EXPEDIÇÃO: ROBERTO, GEOVANNI, ÂNGELO, ANDERSON E BRUNO (EU)
OBS.: ÂNGELO E ANDERSON SÃO IRMÃOS
Após certo tempo sem fazer nenhum turismo ou esporte, reunimos a patota (formada por Geovanni, Roberto e eu) e pesquisamos qual seria nossa próxima aventura. Após várias pesquisas optamos pelo trekking na Pedra do Sino. Convidamos Ângelo e Anderson, que prontamente se apresentaram para a expedição.
Resolvemos marcar a trilha após os 3 meses seguintes para que pudéssemos fazer pesquisas sobre como subir (e como não subir também rsrs), comprar os equipamentos necessários (básicos), e preparar o espírito para o que estava por vir.
Enfim, o dia marcado aproxima-se, e com ele aproxima-se o “cagaço” também, pois nunca tínhamos feito nada parecido a uma altitude dessas (rsrs).
Minha namorada começa a ter sonhos tenebrosos uma semana antes e chora para que eu não vá, pois poderia acontecer algo ruim. Cheguei a pedir uma oração para minha pastora (sou evangélico).
Ângelo estoura a mochila que usaria para o acampamento uma semana anterior a data marcada (É sério, ela simplesmente explodiu quando ele colocou as coisas que levaria para o camping dentro dela rsrs).
O dia chega e começam os problemas:
Marcamos no dia anterior que Roberto e Geovanni me buscariam de carro em casa as 06:20 e de lá passaríamos na casa do Ângelo e Anderson para seguirmos de lá. Só o Roberto apareceu na minha casa por que Geovanni não acordou na hora marcada. Ângelo e Andersom também se atrasaram.
Anderson trabalhou até 01:00 da manhã (marcamos para sair as 06:30; coitado, parecia um zumbi dormindo de olhos abertos dentro do carro kkkk).
Geovanni acorda atrasado (como sempre) e não toma café da manhã, chegando morto de fome ao parque.
Roberto tremia mais que vara verde antes mesmo de chegarmos ao parque (não sei se era frio ou medo, mas só ele tremia).
As mochilas não couberam no porta-malas (a minha, era a maior pois, era uma senhora cargueira), o que fez com que Geovanni, Ângelo e Anderson dividissem o lugar com mais duas mochilas carregadas que não entraram na mala do carro kkkk.
Chegando ao parque, apresentamos os ingressos (R$ 32,50 – para trilha e pernoite), assinamos o termo de responsabilidade, e pagamos R$ 10,00 de estacionamento (Não optamos por pernoitar dentro do abrigo 4, pois iríamos acampar no local), e logo após isso, Geovanni perde os ingressos e começa a entrar em pânico, descendo metade da estrada que leva a entrada da trilha para procurar o ingresso no carro (logo descobriria que o ingresso dele estava no bolso do apagadão do Ângelo kkkk).
Começamos a subida as 09:00 em ponto passando primeiramente pela guia do parque que passa as instruções básicas da trilha, como não cagar na trilha, não mijar na água e não jogar lixo no chão; após isso você passa pelo portão da trilha, e que se vire sozinho rsrs.
A trilha já começa testando quem é homem de verdade para suportá-la já que é muito íngreme e com muitas pedras (ou melhor, SOMENTE pedras). Com isso, fizemos nossa primeira parada para descansar com apenas 5 minutos de caminhada para esperar o Geovanni, que a essa altura do campeonato já estava entregue, pedindo arrego e arrependido de ter ido e não ter tomado café.
A mochila mais pesada era justamente a do Geovanni. Tinha tanta coisa dentro que os miojos e a panela de pressão ficaram pendurados fora da mochila (brincadeirinha rsrs, era uma panelinha pequena para o miojo). Tipo... Deveria estar pesando uns 30 kg brincando. Também ele tinha levado 1 edredom, 1 colchonete, 1 isolante térmico que mais parecia um colchão de solteiro, 3 miojos, 1 cup noodles, vários biscoitos, umas 5 blusas, panela e mais outras bugigangas.
A mochila do Ângelo tinha 1 colchonete com travesseiro embutido, 1 cobertor, 2 miojos, roupas, E SÓ.
A mochila do Anderson, eu nem faço idéia do que tinha dentro (em alguns momentos eu até esquecia que ele estava com a gente porque ele quase não fala kkkk)
A mochila do Roberto só tinha 1 cobertor, jornal para servir de cama rsrs, 1 cup noodles, 2 miojos, 2 barrinhas de cereais (que ele dividiu comigo e com Ângelo kkk) e roupas.
A minha mochila estava bem repleta também, afinal eu era o único que pensava além da diversão; ninguém se preocupava em acidentes, tombos... Levei kit primeiros socorros completo, corda, canivete... Fora o essencial: 1 cobertor de solteiro, 1 isolante térmico (1 cxa de papelão aberta do tamanho do meu colchonete kkk), 1 colchonete, 3 casacos, 2 blusas, 3 calças, 4 pares de meias, 3 cuecas, kit higiene pessoal (essencial, nunca esqueçam isso), e alimentação. Deveria pesar uns 25 kg, mas como é uma mochila cargueira e estava bem ajustada, era bastante confortável e quase não sentia o peso da mochila.
Chegamos ao abrigo 4 às 13:55 da tarde, após 4 horas e 55 minutos de caminhada árdua.
A temperatura local era de 17°. Eu estava só no espírito, porque o corpo tinha ficado para trás há muito tempo. Ao ver o telhado do abrigo 4 no meio da mata eu gritei um “O GLÓRIA”. Eu já não tinha mais forças nas pernas para caminhar, então joguei o corpo para frente e deixava que o peso da mochila me conduzisse. Quando cheguei ao acampamento, larguei a mochila... Parecia que estava flutuando, pois já nem sentia mais as pernas rsrs.
Conhecemos o Guarda (Denis) do abrigo, que para nossa surpresa tinha um amigo em comum conosco. Ao me perguntar se eu era militar, comentei que fui militar e servi no 31º GAC. Descobrimos que ele tinha servido no Havaí, com um colega nosso também (Rafael – Salvador – Vulgo Ioda para nós) e fizemos logo amizade.
A primeira coisa que Geovanni fez depois de montar a barraca, conhecer o acampamento e o abrigo 4, foi comer e deitar, o que durou uns 30 minutos no máximo, pois tínhamos que subir para acompanhar o pôr do sol.
Como desde o início da trilha... Dávamos 10 passos, enquanto Geovanni dava 1 (é f...da).
Subimos para a Pedra com 12° de temperatura.
Vale ressaltar que ele tem vertigem e se borrou todinho quando me distanciei 5 metros dele na escalada da Pedra do Sino. Só faltou chorar, “Pô cara, eu tô com medo... Vão lá vocês que eu espero vocês aqui...” Roberto teve que ir lá pegar na mãozinha dele para ajudar o bebezão a subir kkkk, enquanto eu, puto, o chamava de florzinha kkkk. Chegando ao marco da Pedra, ele faleceu... Entrou em coma... Desmaiou... Dormiu... Deitou... (como preferirem), e não se levantou até que um grupo desceu e ele se enrabichou atrás deles.
Descemos com 8° de temperatura, às 18:00 da noite. Comemos e fomos deitar, já que não tinha mais nada para fazer no meio do “breu” total.
As 00:00 ainda chegavam os grupos para acamparem também, enquanto nós já tínhamos dormido e acordado umas 5 vezes. Faziam 5° nessa hora.
Foi o melhor momento do acampamento. A visão era espetacular, fomos os primeiros a chegar ao local, as luzes da cidade ainda estavam acesas para minha satisfação (era o que eu mais desejava ver). O sol nascendo, a cidade se apagando, o pessoal chegando para acompanhar o nascente também... Foram as melhores fotos que tiramos, pena o Geovanni ter escolhido ficar na barraca dormindo que nem bebê.
Descemos e ele ainda dormia enquanto muitos já até desmontavam as barracas para descer a trilha.
Desmontamos acampamento, nos despedimos do Denis, e começamos a descer as 09:30 em ponto. A descida foi tão tranqüila que descemos em ritmo acelerado. Ultrapassávamos outros grupos que também desciam a trilha como se fosse a coisa mais simples do mundo. Levamos aproximadamente 5 horas para subir e descemos com apenas 2 horas e 40 minutos.
A descida teria sido muito tranqüila se não fosse por dois probleminhas:
1º- Ao dormir coloquei duas meias grossas para dormir e esqueci de tirá-las pela manhã. Por ter descido a trilha com duas meias grossas, ganhei de presente duas bolhas logo abaixo dos dedões dos pés, o que me fez descer os últimos 2 km praticamente com lágrimas nos olhos de tanta dor. Cheguei a quebrar um ganho de bambu de tanto que eu me apoiava nele. (NÃO DEÊM ESSE MOLE, USEM UMA MEIA FINA E UMA GROSSA!)
2º- Roberto torceu o pé a aproximadamente 1 km da porta de saída da trilha, o que também o fez descer agonizando e dirigir o carro com o pé que nem um mocotó inchado rsrs.
Descemos a serra, passamos no Ângelo para deixá-los (Ângelo e Anderson) em casa, partimos em retirada para minha casa a 100 km por hora pois, nessa hora tudo o q eu tinha comido no acampamento estava fermentando e já começava a fazer efeitos indesejáveis. Cheguei à metade do caminho e já liguei para minha mãe me esperar no portão para pegar a mochila pois uma bomba fecal estava prestes a explodir a qualquer momento rsrs.
Desci do carro... Roberto abriu a mala do carro... Já peguei a mochila jogando no colo da minha mãe e disparei para o banheiro. Após desarmar a bomba atômica formada dentro de mim, coloquei meus pés na água quente para ver se conseguia aliviar as dores das bolhas. Levei cerca de 1 hora fazendo isso tudo.
À noite, o reencontro da patota para trocar fotos foi hilário. Roberto e eu mancando e Geovanni em estado de semi-coma ainda... Mas tudo valeu muito a pena, e fica como recomendação turística a todos.
Para conferir todas as fotos, clique aqui.
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Cara!!!!!! ficou muito bom mesmo.... Pena que os videos ainda não foram postados aki...
ResponderExcluirvalew!!!
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirMuito bom e prazeroso poder voltar a este blog e relembrar dessa aventura após 15 anos. Hoje a maioria da galera já não mora mais em Caxias, estão fora de fora e sedentários. Mas é sempre bom poder relembrar os bons momentos da vida, principalmente os que compartilhamos com os amigos.
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